Bueno Tchê

Bueno tchê, puxe um cepo e proseie... que a roda tá feita e o mate tá ajojado...

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O Combate De Rio Negro (Antônio Augusto Ferreira)

Rio Negro foi assim, mais que um combate,
foi todo um dia devotado à fera,
e a gente viu as presas da pantera
cravarem-se mortais na carne humana
no lugar preferido: a jugular.

Rio Negro, como palco que era verde,
ficou tomado de vermelho e preto,
e a gente viu a força com que o ódio
irrompe dessa audácia que há no homem
pra dar lugar à fúria do animal.

O combate era entre tropas da fronteira,
homens forjados no calor da guerra
que nesse dia fez tremer a terra
com sentenças de morte sem defesa.
Foi condena de tantos, que eram bravos,
e vendo-se perdidos, soltam armas,
mas tombam degolados no holocausto
pra que o ódio se espoje no banquete
e a fera possa devorar a presa.

Essa revolução vinha de longe,
tava estampada n'alma e nos pescoços.
A cor de lenço era o brasão dos moços
que os unia ao caudilho do lugar.
93 já tinha feito estragos
nas heróicas cargas a cavalo;
e as mortes a fuzil e a ferro branco
semeavam carniças pelo pago.

O combate em Rio Negro foi terrível.
Joca Tavares, do quartel de João Francisco,
com 3.000 homens, em manobras ágeis,
cerca e envolve a força governista.
Já não dá mais pra resistir na guarda,
a desvantagem em número e terreno
obriga os homens a depor as armas.

Ao todo são 300 prisioneiros
que estão agora maneados na mangueira.
O comandante vencedor se afasta,
mas e quem é que fica em seu lugar?

Pois é aí que surge no cenário
a figura mortal de Adão Latorre,
de faca em punho pra tratar dos presos.
É que ele tinha contas a ajustar.

Manda trazer pra fora os prisioneiros,
um por um, despojados e maneados,
vêm sendo apresentados pra sentença.
A razão é indiferente na degola
e a decisão dispensa os argumentos.

A execução começa sem rodeios:
amunta no cangote do vivente,
a mão esquerda puxa-lhe os cabelos,
enquanto a faca abre dois buracos
na carótida que esguicha o sangue quente.

É degola brasileira a que pratica
nesse começo mais que criterioso
de matar prisioneiro a sangue frio.

Vem outro condenado - um salto, o talho;
a mão, as roupas se empapando em sangue
aumentam o furor do coronel.
Esse bodum de sangue, suor e fezes
e o terrível odor que tem a morte
atrai a cachorrada do galpão
que vem lamber as poças no local.

Uma carroça embarca o degolado
depois que ele exercita os movimentos
subseqüentes ao golpe da degola:
primeiro vem o talho e a golfada.
depois, pára de pé, ensaia uns passos,
solta uns gritos e uns roncos de terror,
estremece, cai e se contorce até a morte.

Latorre afia novamente a faca,
parece conhecer o seu ofício,
mas à medida que lhe espuma o ódio
muda de tática, mostra outra maneira
de passar um cristão no fio da faca..

É a "criolla", a que exige menos,
não requer cuidados nem perícia,
o talho a trafegar de orelha a orelha,
um golpe só, cortando artérias, goela,
igual a quem, não sabendo, sangra ovelha.

O prisioneiro Pedroso é altaneiro
mas tenta negociar com a facínora:
"- Quanto vale a vida, Adão,
de um homem bueno e valente?"
"- Valente sim, vossimecê,
mas bueno não, pelo que andou fazendo.
A tua nada vale, tá no fio da minha faca".
Pedroso sente o calor da antiga luta,
levanta o queixo, entesa o corpo, afronta a faca:
"- Então degola, negro fiadaputa!". (*)

O local tá virado em sangue e barro
numa pasta que já vai se grudando
nas botas dos soldados.
Os caranchos estão sentados
nos galhos dos umbus
à volta do massacre..

O carroceiro leva os corpos quentes
pr'uma lagoa,
jogando-os n'água para que se afundem.
Essa lagoa passou a chamar-se "Música"
pois dizem que os gemidos dos coitados
ainda hoje assombram essas plagas.

Vem notícia pior da beira d'água:
uma vara de porcos esfomeada
pressentiu o fartum da carne fresca
e está devorando alguns cadáveres
pois não deu tempo de os jogar no fundo
ficando alguns largados pela margem.

Ao todo são trezentos os da faca?
Ainda hoje se discute o número
dos sangrados neste dia, no Rio Negro.

E o que ficou desse macabro fato,
que teve represália no Boi Preto,
onde outro coronel, um outro bárbaro,
deu o troco de moeda de igual peso?
Ficou-nos esse quadro de tragédia
que não se apaga nunca, nem num século,
e mancha tão profunda nossa alma
quanto denigre a história conterrânea.

Rio Negro foi assim, mais que um combate,
foi todo um dia devotado à fera!

domingo, 2 de janeiro de 2011

Agenda....

Bueno tchê.... Virada de ano não muito boa, por motivos de uma virose, mas que nada. Melhorando! Importante é estar do lado da família e de amigos que nos cercam... Pena que não pude aproveitar as cosa buena da mesa....  Desculpe aos amigos que me esperavam em São Borja, para virada! (Esse ano tem de novo), sem problemas.

Semana que vem então, dia 06/01, Quinta Nativa no Arena Grill;

Dia 09/01, na "baita" formatura do meu grande amigo Santa Maria. Diz ele que carne assada e ceva bem gelada não há de faltar.. hehe

Mas tchê, nomás era isso...

baita abraço